O primeiro Cine Pipoca logoterapêutico na AgirTrês

No último dia 10 de junho, realizamos o primeiro Cine Pipoca na AgirTrês. Assistimos juntos ao filme Reaprendendo a amar e discutimos os temas abordados com o olhar da Logoterapia.

Veja só o que os participantes desta primeira sessão do Cine Pipoca comentaram:

“Gostei demais do filme que assistimos no nosso 1°encontro do Cine Pipoca, além de ser lindo nos proporcionou grandes reflexões sobre como encontrar sentido no sofrimento diante de tantas perdas. Ansiosa para assistir o próximo.” 

“Interessante rever um filme com um novo olhar, entender melhor, aprofundar.”

“O 1º Cine Pipoca da AgirTrês contou com a feliz escolha do filme Reaprendendo a Amar,  pensando sobre o filme à luz da Logoterapia, identificamos no drama vivido pelos personagens inúmeros conceitos importantes,  aborda todas as categorias de sentido,  temporalidade noética, autotranscendência e autodistanciamento.” 

Neste evento, assim como em todas as ações sem fins lucrativos do Núcleo de Logoterapia AgirTrês, estimulamos os participantes a realizarem doações ao Projeto Minigentilezas, que arrecada produtos de higiene pessoal para pessoas em situação de rua. Agradecemos todos que participaram e puderam contribuir!

Estamos programando a próxima sessão de cinema com pipoca para outubro. Escreva para contato@agirtres.com.br ou pelo whatsapp 11 99402-9291 para mais informações.

Nelson Mandela e o filme Invictus

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Como alguém passa 30 anos em uma cela apertada e sai pronto para perdoar aqueles que o colocaram lá?” (Pienaar, capitão do time de rugby Springboks da África do Sul, reflete sobre Nelson Mandela)

Se eu não mudo quando as circunstâncias mudam, como posso esperar que os outros o façam?” (Nelson Mandela)

O filme Invictus aborda uma história verídica ocorrida na África do Sul em 1995. Em um momento de transformação política e social retrata o processo de unificação da nação Sul Africana que, após décadas de opressão da população negra e do Apartheid, encontrou na figura do presidente Nelson Mandela um líder benevolente e digno. O time de rugby Springboks, um símbolo da parte branca da população, e portanto da segregação racial, é visto pelo presidente Mandela como um recurso para integração do país. Mas será que isso é possível? O filme é permeado por uma grande tensão entre as oposições, muita resistência e desaprovações ao presidente. Diante de tudo, Mandela se mantém firme e esperançoso.

Nelson Mandela foi um homem resiliente, humilde e devoto a uma grande causa. Um verdadeiro representante da capacidade de transformar a adversidade em triunfo humano. Capaz de autotranscender – ir além de si mesmo – de ir além de seus sentimentos, das circunstâncias e de seus sofrimentos. Não negou as circunstâncias, mas como ensina a Logoterapia, fez delas o chão de onde pôde saltar. Suportou e superou o sofrimento vivido, exercendo profundamente o atributo nomeado por Frankl de homo patiens. Sua capacidade de encontrar sentido o possibilitou a habilidade de lidar com a tríade trágica – sofrimento/dor, culpa e morte. Exigiu muito de si, e esse crescimento pessoal lhe trouxe a possibilidade de olhar o outro em seu potencial. Como aprendemos com a Logoterapia: ao olhar o outro em seu potencial ele se tornar capaz de ser aquilo que realmente é, ou seja, aumenta suas possibilidades de ser alguém melhor.

Mandela promoveu uma cultura de paz, não dobrando sua alma e encontrando no esporte um propósito para unificar o país. Amou profundamente seu povo – exercendo o atributo de homo amans: “Para ele ninguém é invisível”, fala do segurança. Em suas atitudes diárias, como presidente e como pessoa, foi criativo e atuante – homo faber.

Sua visão de unificação do país – e é coerente refletir que ele sonharia isso para todo o mundo – se encontra com a proposta do monantropismo de Frankl:

“Milhares de anos atrás, a humanidade lutou pela fé num Deus único: pelo monoteísmo; – mas onde fica o saber de uma humanidade única, um saber que eu gostaria de chamar de monantropismo? O saber em torno da unidade da humanidade, uma unidade que ultrapassa todas as diversidades, quer as da cor da pele, quer as da cor dos partidos.” Frankl, V. E. (2010). Psicoterapia e sentido da vida: fundamentos da Logoterapia e análise existencial. São Paulo, Quadrante, p. 28.

“A nação multiracial começa aqui.” (Rainbow nation, Nelson Mandela)

Foto Veri
por Veridiana da Silva Prado Vega

Diplomate Clinician pelo Viktor Frankl Institute – Abilene, Texas, E.U.A.(2011); Graduada em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie – São Paulo/SP (2009); (CRP 06/97311);  Associada ao Viktor Frankl Institute – E.U.A. e à Associação Brasileira de Logoterapia e Análise Existencial.