O que vivi com Viktor Frankl #9 | Relato logovivencial de Adriana Possale

A nona edição da série “O que vivi com Viktor Frankl” é especial. Ela une as datas comemorativas de maio (a da Enfermagem e das Mães) numa só vivência: a de Adriana Possale, enfermeira de cuidados paliativos e mãe de duas meninas lindas. Nesta história, Adriana conta como entrou em contato com a Logoterapia, o que a fez se reconectar com seu sentido do cuidar. Confira!


Estou hoje, em uma tarde linda e fria de Outono escrevendo meu relato de vida, relato de logo vivente. Sou Adriana. Sou enfermeira, sou amiga, sou filha, sou mãe, sou faxineira! E dentre os vários papéis que venho a  exercer no mundo, sou em primeiro lugar pessoa. Sinto o que tu sentes! Nasci no interior de São Paulo, sou a segunda filha, sendo que meu primeiro irmão não chegou a nascer, perdas não vivenciadas de uma mãe, um casal que fez o melhor que pôde, dentro das possibilidades que eles tinham.

A vida me apresentou a Logoterapia em um dos encontros de mulheres do Põe no Mundo, onde eu buscava respostas para minhas angústias existenciais relacionadas ao casamento, a maternagem, ao trabalho em equipe dentro das instituições de saúde, ao meu posicionamento dentro desse contexto geral em se tratando da minha responsabilidade e a responsabilidade do outro, na época fui convidada pela amiga, psicóloga e coach Mayra Aiello que me apresentou para a querida Simone Guedes, diretora pedagógica do Núcleo AgirTrês.

Desde muito cedo, em minha vida pessoal e profissional tenho um sentimento que me impulsiona, algo além de mim, que me leva a buscar o melhor para mim e para o outro, é na sutileza de detalhes que encontramos no outro um pouco de nós e assim somos espelho! Me despindo das culpas e procurando humildar o Ego… Em cada bagagem uma história! Cada paciente uma memória! A dor de cada um é também a minha dor, assim procuro só espalhar Amor … Quando li a frase de VIKTOR FRANKL : “Encontrei o significado da minha vida, ajudando os outros  a encontrarem o sentido das suas vidas” entendi que os momentos vivenciados durante a doença eram também a minha cura interior. 

“A nuvem” que me orienta. Por muito tempo pensei que se trabalhasse muito iria alcançá-la, porém, estudando a ciência da terapia do Sentido de Vida observei que ela sempre estará a frente… inalcançável! Foi aí que entendi que  “O SENTIDO DA ENFERMIDADE CONSISTE EM CONDUZIR A QUEM ESTÁ TOCADO POR ELA, AO SENTIDO DA VIDA” (Jaspers, 1991, p. 19)

Hoje, após quinze anos de experiências com pessoas que vivenciam a tríade trágica (sofrimento, culpa e morte),  na experiência da dor e da doença, curso a especialização em Cuidados Paliativos no Instituto Paliar, só tenho a agradecer a todos que fazem parte da minha Vida, a todos que pude tocar o coração, possibilitando mais do que medicações e curativos, como enfermeira que sou, toquei Vidas com V maiúsculo; Em especial a Valéria Guedes, amiga que definitivamente me conduziu a esta jornada.”

Adriana Possale é mãe, coach e enfermeira com ênfase em cuidados paliativos e abordagem logoterapêutica.

O que vivi com Viktor Frankl #8 | Relato logovivencial de Claudia Mota

A oitava edição da série “O que vivi com Viktor Frankl” conta a história de Claudia Mota, que relata seu encontro com a Logoterapia a partir da Psicopedagogia e do confronto com a famosa tríade trágica de Viktor Frankl. Nesta história emocionante, Claudia compartilha como a Logoterapia a ajudou a vivenciar seu processo de luto pelo falecimento de sua filha e ainda nos dá de presente um logopoema que fez em sua homenagem. Confira!


“Em 2009 estabeleci, na escola onde eu trabalhava, um projeto de conclusão de curso. A escola tinha turmas até o 9º ano e muitos alunos estavam ali desde os 3 ou 4 anos. Entendi que de alguma maneira tinha que prepará-los para irem para o mundo. Naquela época, dando aulas de espanhol, escolhi o conto de Marina Colassanti – A moça tecelã – para iniciarmos o trabalho.

O conto fala sobre escolhas e sobre o estar na vida. A atividade foi um sucesso, os debates culminaram em um painel em que os alunos bordaram com seus nomes e fotografias, painel esse que ainda permanece na escola junto com outros trabalhos que minhas turmas fizeram até 2015, quando deixei a escola. Foi uma atividade muito significativa para eles. Anos depois, ao visitar a escola, pude encontrar um pouquinho de suas histórias ainda ressoando pelos corredores.

Sempre me angustiava quando pensava nos caminhos que aqueles meninos iriam trilhar quando saíssem dali, pois sabia, por experiência própria, que há poucos espaços para se falar sobre o sentido da vida e de escolhas no mundo atual.

É com grande satisfação e honra que por vezes encontro homens e mulheres, outrora meninos e meninas, que estão no mercado de trabalho, formando famílias e ainda têm aquele mesmo brilho nos olhos.

Sempre me sensibilizei com suas histórias e me interessava muito mais as relações, o encontro o EU e o OUTRO. Esses encontros são para mim a confirmação que acreditar e investir na educação do humano é o único caminho possível para a mudança na sociedade.

Meu nome é Claudia S. De Martino Mota, tenho 51 anos.

Sou formada em Letras pela Universidade Paulista de São Paulo e pós-graduada em Pedagogia Espírita e Psicopedagogia.

Lecionei em escolas públicas e privadas como professora de espanhol e português, também fui professora no Senai, por quase 20 anos. Nunca fiz parte da turma que se reunia na hora do café para criticar e culpar os alunos por suas dificuldades escolares ou pelas atitudes dentro da escola.

A pós em Pedagogia Espírita me possibilitou estudar e conhecer autores como Comenius, Pestalozzi e Rousseau, que tinham uma visão do homem integral, não esse homem bipartido da sociedade moderna – cabeça (intelecto) ou genitália (hiperssexualização).

Tratamos também de compreender o ser humano como espírito no seu sentido mais amplo. O estudo das diferentes correntes religiosas trouxe clareza para essa realidade que para além do senso comum, une todos os homens no que há de comum e universal o que caracteriza o humano, a dimensão espiritual.

Foi bebendo nessas fontes que cheguei a Viktor Frankl. E em paralelo com minha vida profissional, outros fatores me levaram ao encontro com Frankl.

Desde pequena era vista pela família e pelos amigos como a engraçada e risonha.

Me marcou um momento em que uma prima me perguntou por que eu era feliz. Certamente vão para mais de quarenta anos dessa pergunta e creio que hoje tenho mais solidez para essa resposta.

Há mais ou menos, três anos, nos preparativos para a concretização de um projeto ambicioso e inovador – a Terapia Pedagógica –  que nasceu dentro da Pedagogia Espírita, e tinha como intuito democratizar a terapia, tornando-a acessível ao grande público, conheci Viktor Frankl. Foi um ano intenso de preparação do projeto e as leituras fizeram parte desse período. Li um pouco sobre Freud, naquela época fazia pós-graduação em Arteterapia que tinha abordagem Junguiana, mas nada parecia me tocar mais profundamente até a leitura do livro base: Em busca de sentido – um psicólogo no campo de concentração.

Nesse mesmo ano, 2013, eu e minhas parceiras no projeto tivemos a oportunidade de participar do Congresso de Logoterapia no Rio Grande do Sul. Lembro com clareza a sensação de contentamento e de encontro de almas.

Foi nesse congresso que tive a oportunidade de ouvir Guillermo Herrera, Claudia García Pintos, Alejandro de Barbieri e outros queridos mestres logoterapeutas. Com muita alegria e satisfação percebi que a logoterapia era a chave para retomar meu trabalho com os jovens.

Ao longo dessa vida, tive que, por algumas vezes, confrontar-me com a tríade trágica narrada por Frankl. A mais pesada dessas experiências foi, sem dúvida, o falecimento da minha segunda filha aos três anos. Foi esse experimentum crucis que colocou em cheque o sentido da minha vida e me levou a tomar uma decisão: continuar a viver e ser feliz apesar da dor imensa.

Nesse momento, mais uma vez fui questionada sobre minha alegria e respondi que minha filha, mais velha, a sobrevivente, merecia ter uma mãe inteira. Foram 20 anos desde a morte de minha filha numa elaboração de luto intensa mais amorosa.

Neste ano, finalmente consegui me aprofundar na logoterapia e me sinto muito realizada em trabalhar a psicopedagogia com abordagem logoterapêutica.

Atualmente tenho um consultório onde atendo jovens e adultos no trabalho de psicopedagogia , orientação familiar e orientação vocacional com abordagem logoterapêutica.

Para finalizar minha história, compartilho aqui o poema que fiz para minha filha em fevereiro desse ano e que considero um logopoema.

Era um sábado de carnaval
Como outros tantos sábados de carnaval que ela tinha vivido
Tocavam as mesmas músicas de carnaval que ela tinha ouvido
Só que esse era um sábado diferente
Olhava ao seu redor e via a mesma gente
Buscando uma alegria numa data marcada

Era um sábado de carnaval
Mas não era um sábado qualquer
Não havia fantasia, maquiagem ou serpentina
Que pusessem de volta a alegria no seu rosto
Quem veio sem ser convidada de forma repentina
Foi ela, sem ter dado um aviso sequer

Deu o tom do sábado de carnaval
Levou sua menina
Tirou a máscara da alegria encomendada
Para aquele sábado de carnaval
E partiu sem despedida
Foi como chegou, num sábado de carnaval

Vinte anos se passaram
Daquele dia fatídico
Daquele sábado de carnaval
Vinte anos se passaram
Daquele sorriso idílico

Nas vésperas de outro sábado de carnaval
Deixo aqui meu agradecimento
Não por todo o sofrimento
Mas pela possibilidade de escolha
De uma alegria antes efêmera
Mas agora real
Depois de finalmente estourar a bolha
Viver uma vida plena
De uma felicidade serena

Não, não escolheria sofrer novamente
Mas agradeço sinceramente
Por poder encarar a vida de frente
Amar tanto e tão profundamente
E viver de uma forma mais convincente

Deixar de falar de amor e fé na teoria
Começar meu dia em cantoria
Batalhar pela harmonia do dia-a-dia
E fazer da minha vida uma alegoria
Por entender que a dor
É apenas uma das fantasias
que podemos vestir
para aprender as lições
de muitas vidas dentro de outra vida
e viver enfim, em pleno carnaval

Claudia S. De Martino Mota, psicopedagoga que atua na abordagem logoterapêutica

O que vivi com Viktor Frankl #7 | Relato logovivencial de Noely

A sexta edição da série “O que vivi com Viktor Frankl” conta a história de Noely, que ressignificou o diagnóstico de lúpus com diálogos com a obra de Viktor Frankl. Neste relato, ela recorre às principais citações de Frankl que a fortaleceram em sua busca de sentido, seja na profissão de enfermeira e professora, seja na vida, como alguém que diz sim à vida apesar de tudo. Conheça este diálogo edificante!


“Em minha história, passo a buscar um novo significado aos 18 anos de idade. Nessa idade, comecei a sentir dores nas mãos, dores que me impediam de tocar piano. Estudava e tocava o instrumento desde a infância. Descobrir que não poderia tocar mais piano e depois receber o diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico, com todas as suas complicações, trouxe a necessidade de buscar novos significados para minha vida.

Nessa busca, encontro a enfermagem e, logo no início da graduação, tenho a oportunidade do encontro com minha mestra Margareth Angelo, que me ensinou que

“Fazer enfermagem é uma oportunidade de estar na primeira fila de um espetáculo chamado experiência humana em saúde. Para algumas pessoas, estar na primeira fila pode significar estar mais perto para presenciar dor e sofrimento, mas para mim tem um significado bastante diferente. Estar na primeira fila representa para mim a possibilidade de testemunhar como a vida, a experiência humana é bonita e grandiosa. É ver de perto como o homem pode transcender os obstáculos e crescer justamente por causa deles.”

Como amei essa enfermagem!!!

Eu não podia ensaiar a vida, tinha que acontecer. Eu me considerava a enfermeira já no primeiro estágio, eu tinha que dar o melhor, não era para ser a melhor, mas queria marcar a minha passagem, queria transformar os lugares por onde passaria. A minha mestra que teorizou os meus sonhos dessa enfermagem que sente o outro, me colocou em contato com teorias que faziam minha prática cada vez mais humana e ao mesmo tempo me transformava como pessoa, possibilitava encontros com as diferentes experiências de vida que me ensinavam a ser a melhor enfermeira do mundo, mas que primeiro me ensina a ser.

Meu encontro com Viktor Frankl aconteceu logo após a minha formatura, quando fiz o curso “A morte na prática do seu cotidiano”, no Instituto de Psicologia da USP, com Maria Julia Kovacs. Nesse curso realizei a leitura do livro, Morte e desenvolvimento humano. No capítulo sobre o idoso, Rosenberg apresenta Viktor Frankl. O fascínio foi imediato. Nessa época, no meu primeiro emprego na Clínica Médica do Hospital Universitário da USP, testemunhando a dor e o sofrimento de pacientes terminais, em sua maioria idosos, as lições de Frankl passam a qualificar a minha assistência ao mesmo tempo que qualificam minha vida.

Este ano, 2018, completo 20 anos de formada. Ao longo dos anos tive que mudar várias vezes os meus sonhos, não me rendendo à doença, mas aprendendo respeitar as limitações e a realidade. Muitas vezes era difícil abandonar o que o me fazia feliz, mas quando me rendia o milagre acontecia porque era mais uma missão que acenava. Não é “o que eu espero da vida, mas o que a vida espera de mim”, era entender qual a missão Deus me entregava.

O que vivi com Viktor Frankl…

Quando encontrei a Logoteoria e Análise Existencial já fazia um exercício de transformação do meu sofrimento, talvez pela minha vivência religiosa e espiritual, pelo meu amor à arte e à natureza e pela minha profissão que me permite me dedicar ao outro. Acredito que tinha um caminho de transformação da dor, mas meu encontro com Viktor Frankl passa a reforçar essa busca, traz reflexões, me incentiva, faz acreditar que pode dar certo, me fascina. Assim começam os nossos encontros: converso com Viktor Frankl primeiro para discutir minhas dores, minhas perdas, mas como ganho e sou feliz com minha profissão, mesmo buscando outras formas de exercê-la por causa do curso da doença.

Depois, Viktor Frankl me ajuda a qualificar minha assistência, primeiro com meus idosos, ajudando o outro a se despedir da vida, o impacto nos meus alunos, agora que ser enfermeira é ser professora, promovendo a vida dos pacientes com câncer, ajudando as crianças que vivenciam ou que sobreviveram ao câncer, ensinando aos meus alunos que promover saúde é fortalecer a dimensão noética e que competência profissional está relacionada com espiritualidade.

Essa trajetória de adaptações e prazer é possível porque Viktor Frankl me contou que “uma religiosidade sadia pode me direcionar a um relacionamento com o criador nos tornando abertos ao outro e à transcendência” e assim “dizer sim à vida apesar de tudo”. Que “o ser precisa ordenar-se em direção a algo ou a alguém: entregar-se a uma obra a que se dedica, a uma pessoa que ama, ou a Deus, a quem serve”. Também me ensinou que:


“o ser humano não apenas reage aos contingentes internos e externos, mas responde a eles, e, ao escolher dar uma resposta à vida, torna-se responsável pelo que vai ser no momento seguinte e que a vida é concebida, nessa perspectiva, como uma tarefa ou um dever, no qual cada ser humano é confrontado com uma ação específica no mundo, pela qual ele se torna único e insubstituível“. (Viktor Frank)

Ele enfatizou ainda:

“que inerente ao sofrimento, há uma conquista, que é uma conquista interior. A liberdade espiritual do ser humano, a qual não se lhe pode tirar, permite-lhe até o último suspiro, configurar sua vida de modo que tenha sentido. A pessoa está colocada diante da decisão de transformar sua situação de mero sofrimento numa realização de valores.” (Viktor Frankl)

Ele também me garantiu que:

a felicidade precisa surgir, ela é efeito colateral, um subproduto e precisa permanecer um subproduto da realização de um significado, de uma razão de ser na vida, de sua dedicação a uma tarefa, de um significado, de uma razão de ser na vida, de sua dedicação a uma tarefa, uma causa maior do que você mesmo, ou a uma pessoa outra que não você mesmo”. (Viktor Frankl)

Em nossas conversas, entendi que Deus não me deu um corpo perfeito, saúde e plena capacidade física, mas o que de mais importante um ser humano precisa Ele me deu: capacidade de olhar o mundo, absorver teorias, pensar transformações. Me deu plenitude mental que me permite amar o que faço, amar a vida. Me deu fé que faz não apenas acreditar na Sua graça, mas amar a graça, amar mais a graça do que a vida. E quando você tem essa relação de fé com o seu Deus criador, você ama amar a vida pelo o que você pode produzir, porque Deus é amor e só podemos ver a Deus amando o outro, como bem disse o apóstolo João, e assim podemos ‘estar no mundo’, ressignificando problemas como desafios. A doença, portanto, passa a ser apenas um detalhe não para perda, mas para crescimento.

O mais significativo que Viktor Frankl me contou é que “cada pessoa tem uma instância que a doença jamais conseguirá atingir, a espiritualidade imaculada. O Deus vivo na intimidade da pessoa humana, o ponto de partida da fé que temos em cada pessoa”.

Por muito tempo, nossos encontros foram solitários, mas agora tenho uma rede de amigos logoviventes para termos rodas de conversa e crescermos juntos nessa busca do sentido.”

Noely Cibeli Santos

 

O que vivi com Viktor Frankl #6 | Relato logovivencial de Ana Clara Dumont

A sexta edição da série “O que vivi com Viktor Frankl” conta a história de Ana Clara Dumont, mineira “de coração e berço”, como ela diz. Neste relato, você vai ver como o ponteiro da bússola de sentido de Ana foi se ajustando e alinhando ao longo de sua trajetória profissional – e como a Logoterapia está no clímax de sua narrativa!

“Minha história não envolve grandes dificuldades, dramas e superações. Sempre tive uma vida tranquila e possibilidade de seguir os caminhos que escolhesse. Mas sempre fui muito indecisa e acho que não valorizava a vida como, hoje, valorizo. Era até muito reclamona e pessimista. Minha história seria uma história como outra qualquer, mas não se conta uma história qualquer, quando sua estrela-guia é o sentido.

Mineira de coração e berço, vivi toda a minha infância e adolescência no interior, em Araxá. Filha de um médico com uma artista plástica, eu era uma boa aluna no colégio, inclusive com as exatas, o que dificultava ainda mais a minha vida nas decisões relacionadas à profissão. As apostas eram grandes com relação ao que eu faria, muitos acreditavam que eu seguiria os passos do meu pai, mas poucos sabiam que eu tinha medo de sangue. Para as artes, eu tinha até um jeitinho, mas a minha mãe mesmo me desencorajou da ideia: “Se for fazer, faça como hobby”.

Até que o colégio ofereceu um teste vocacional. “Você é muito criativa! Deveria fazer Publicidade!” E não foi difícil convencer a libriana, eu precisava que alguém me desse uma direção mais concreta. Então, me mudei para São Paulo, depois de passar numa faculdade que se utilizava de marketing até para nos fazer acreditar que estávamos estudando na melhor escola do Brasil e que sairíamos de lá já empregados. E eu acreditei. Me formei e, contradizendo as estatísticas, eu não saí de lá com emprego. Poxa… o que estava acontecendo com a boa aluna que sempre fui?

A situação de desemprego na área da Publicidade me impulsionou para novas experiências. Morei no Canadá, estudei e trabalhei com Teatro, fui ser voluntária fazendo visitas a hospitais vestida de palhaça. Eu parecia bem perdida, mas nem eu mesma sabia que eu estava começando a me encontrar.

A pressão de não encontrar um emprego de trainee em uma grande multinacional adicionada a uma situação de conflito amoroso me fez procurar terapia. Foram algumas tentativas: Lacan, Jung, entre outros manejos clínicos que não me faziam sentir acolhida, à vontade, e ainda me sentia julgada.

Até que uma prima, que é psicóloga, me enviou o link da Sociedade Brasileira de Logoterapia (SOBRAL): “Talvez você goste dessa abordagem”. Eu abri, li por alto e me pareceu interessante. Escolhi uma das terapeutas indicadas, por uma questão de logística (a que era mais fácil de chegar), sem saber que, mais uma vez, eu estava abrindo uma porta enorme, talvez uma das mais importantes da minha vida.

Diferente das demais terapias, dessa vez o encontro foi mágico. Eu me via crescendo, mais forte e mais decidida a cada sessão. Era dolorido, mas era transformador. Aquele processo era tão incrível que eu passei a nutrir uma admiração enorme pela minha psicóloga. Em paralelo, mais conectada com meus valores, comecei a perceber que de tudo que importava na minha vida, as pessoas eram o mais importante e que eu tinha uma facilidade enorme para escutar, ponderar, acolher quem estava ao meu redor, dos familiares aos amigos, até um desconhecido no hospital. Comecei a ter certeza de que trabalhar com produtos em uma multinacional definitivamente não fazia sentido algum para mim. Talvez no RH? Eu até tentei, mas também não era aquilo.

Até que um belo dia (eu não me lembro, mas o sol devia estar em seu esplendor), eu olhei nos olhos da minha psicóloga e falei: “É isso. Eu quero fazer para as pessoas o que você está fazendo por mim”. Desde, então, eu soube que o grande sentido da minha vida estaria em ajudar outras pessoas a encontrarem o sentido da vida delas.

Comecei a estudar Psicologia. Li Em Busca de Sentido. Comecei a ficar bem mais atenta a minha intuição, aos sinais que a vida estava me dando, e passou a ser bem mais fácil tomar decisões, mesmo para uma libriana.

Encontrei um emprego no terceiro setor. A vaga era de Comunicação. E mais um monte de descobertas vieram. Não é que eu não gostasse da minha primeira formação, eu não gostava do viés comercial, capitalista, mas usar a comunicação para “o bem”, foi uma experiência que me fez crescer como profissional, pessoa e perceber o poder transformador da comunicação nas relações humanas.

Recebi alta da terapia com o seguinte recado: “Volte para sermos colegas”. Conheci a AgirTrês e comecei a estudar Logoterapia. Reli Em Busca de Sentido. Li outros livros do Viktor Frankl e de outros seguidores. Passei a falar da Logoterapia sempre e onde quer que eu fosse. Para os colegas, nos trabalhos da faculdade, na semana da psicologia. Conhecer a Logoterapia não podia ser privilégio de tão poucos em um mundo tão precisado de sentido.

Fiz vários estágios na área da psicologia. Adorei todos eles. A cada encontro com o outro, em que eu podia exercitar meu olhar de logoterapeuta, a certeza aumentava. Descobri que minha criatividade poderia ser usada no consultório. No TCC eu consegui falar também de Logoterapia, claro. Virou até artigo em revista especializada. Me formei. E na primeira oportunidade, eu tirei meu CRP e fui ser psicóloga. Eu tinha pressa, eu tinha urgência, eu tinha certeza.

“Nossa! Mas é muito difícil se formar e começar a atender como psicóloga clínica”. “ A vida de psicólogo é muito instável”. “Você é louca de deixar um trabalho CLT por algo incerto”. Nada disso me abalou. Eu tinha paixão, eu tinha brilho no olhar, eu nunca tinha tido tanta certeza.

Voltei à porta que tinha me sido aberta ao final do meu processo terapêutico. Fui ser colega da minha psicóloga. A princípio em uma sala alugada, dividindo com meu trabalho no terceiro setor. Depois, ampliando minha dedicação e ocupando horários vagos na clínica dela. Por fim, deixei meu trabalho CLT, mergulhei na clínica, conquistei novos pacientes. Me encantei pelos adolescentes, mas continuei forte também com os adultos. Passei a viver como psicóloga, como logoterapeuta.

Sem nunca mais perder o olhar para o sentido, continuei atuando no terceiro setor, por meio de oficinas com comunidades pelo Brasil. Fiz uma especialização da área de educação, e mais uma vez levei a Logoterapia para um novo universo: também tive a oportunidade de falar do que me movia no meu TCC. Passei a escrever para um blog sobre relações humanas. Participei de grupos de estudos, seminários, de Congressos no Brasil e na América do Sul. Conheci gente extremamente inspiradora, me senti acolhida, me identifiquei, me senti pertencendo aquele grupo de pessoas que acreditam na busca do sentido como transformadora do mundo. Que privilégio!

Hoje, faço da Logoterapia não somente a minha profissão, mas a minha filosofia de vida. Quem conhece Viktor Frankl sabe que não dá para ser diferente, é uma questão de conduta única. As dificuldades ainda surgem? Claro, mas nunca mais olho para elas sem entender os “para quês”. As segundas-feiras, as chuvas e os invernos passaram a ter seu encanto. Depois que me conectei com a minha bússola de sentido, a vida vem fluindo de forma leve e linda, sou muito grata e tenho a certeza de que tudo vai dar certo hoje, amanhã e sempre. Mostrar esse olhar para a vida em encontros diários com o outro é o que me move.”

Ana Clara Dumont

anaclara@vinculare.com.br

www.vinculare.com.br

O que vivi com Viktor Frankl #5 | Relato logovivencial de Rubens

A quinta edição da série “O que vivi com Viktor Frankl” conta a história do Dr. Rubens Siqueira, que se sentia escravo de sua profissão e encontrou em Deus o sentido da vida e na Logoterapia a conexão entre o saber empírico e o saber científico. Emocionante!

MINHA EXPERIÊNCIA COM A LOGOTERAPIA

“Para iniciar este breve relato sobre a minha experiência com a Logoterapia, acredito que seja significativo contar que meu perfil até pouco tempo era de um médico com doutorado e pós-doutorado na USP, envolvido com vários projetos de pesquisa, congressos no exterior e, de forma quase automática, dominado por um pensamento predominantemente racional e lógico.

Apesar de ter alcançado sucesso e reconhecimento profissional, senti que na verdade não tinha encontrado nada que me desse paz de espírito, felicidade e liberdade.

Escravo de minha profissão e do reconhecimento dos outros, navegava por um mar que certamente estava me levando ao naufrágio existencial.

Fui tomado então por uma crise de angústia e foi o momento que serviu como divisor de águas na minha vida. Nesta época tive meu encontro pessoal com Deus (metanoia ou a conversão do coração) e sem dúvida a angústia (a sensação do nada) foi essencial para este acontecimento. Quando eu achava que eu era tudo encontrei o nada e quando eu descobri que eu era nada, foi que encontrei o tudo. Porque é no nada que Deus se revela, é no nada que estamos nus sem nossas ilusões e é no nada que sobrou só o si mesmo.

Esta transformação pessoal, como se tivesse caído um raio, foi o meu despertar, o véu do mundo caiu na minha frente e passei a enxergar tudo e todos com “olhos de Deus”.

Após esta revolução acabei fazendo faculdade e pós-graduação em teologia, devido à fome e sede de Deus que tinha me dominado, um apetite que só vem aumentando com esta peregrinação.

Descobri que o sentido da vida só encontramos em Deus e a partir deste meu encontro, uma sabedoria divina me foi revelada com um tipo de conhecimento denominado em grego de Ginosko, que consiste em um conhecimento de experiência, pessoal e íntimo, diferentemente de Eido que é o conhecimento “estudado” sem ser pessoal.

Entretanto como conciliar este conhecimento “revelado” com o conhecimento científico? Este foi meu dilema de viver dentro do meio científico, mas ter descoberto uma sabedoria fora dos moldes do conhecimento empírico.

A Logoterapia foi então a chave de conexão entre estes dois universos.

Viktor Frankl teve um insight genial ao “camuflar” para os cientistas a dimensão espiritual que ele chamou de noética e Deus que denominou como sentido supremo. Desta forma, ele conseguiu infiltrar no meio científico este universo previamente considerado como campo de superstições.

A equação se fecha na introdução da principal lei física do universo que é o AMOR.

O amor não é um sentimento, pois o sentimento é efêmero, oscila em ondas, ninguém fica por exemplo o tempo todo rindo, por outro lado o amor é uma constante, não um simples sentimento, pois trata-se de uma substância e que a temos por meio de participação, de um encontro, pois o amor é o próprio Deus.

Por ser o amor o próprio Deus entendemos que em tudo e em todos apresentam gotas desta substância e, a partir daí, é possível olhar para o outro mesmo sendo um inimigo e enxergar que dentro dele há gotas deste amor, ou seja, do próprio Deus.

Este olhar me permitiu entender que é no outro que temos o amor e é por meio do outro que amaremos a nós mesmos.

Portanto, com a Logoterapia, fechei esta fórmula do casamento científico com a mística e a transcendência, culminando no alvo final que é o encontro do sentido supremo, o próprio Deus. Após este encontro, passamos a navegar no universo de uma realidade chamada amor que é o mais poderoso remédio para a nossa cura emocional, um verdadeiro resgate para quem que foi capturado pela areia movediça do vazio existencial.”

Rubens C. Siqueira
rubenssiqueira@terra.com.br
www.umnovoamanha.com

O que vivi com Viktor Frankl #4 | Relato logovivencial de Maria Matilde Fenocchi Guedes

A quarta edição da série “O que vivi com Viktor Frankl” conta a história de Maria Matilde Fenocchi Guedes desde a infância no pós-guerra, a chegada ao Brasil, sua vida e encontro com a obra de Viktor Frankl e sua viagem à Itália, num reencontro com sua família. Imperdível!

O DIA EM QUE ENCONTREI VIKTOR FRANKL – COMPREENDI A GUERRA EM MIM

Nasci em 1948 na Itália, no pós-guerra numa pequena cidade, Montese, nas montanhas de Modena (perto de Monte Castelo), onde foi vivida a brutalidade e destruição da 2ª Guerra Mundial. Essa região ficou totalmente devastada. Sou a 2ª filha de um casal que, assim como os outros moradores da região sofreram muito durante a guerra e continuaram a sofrer no pós-guerra, visto que a cidade, as casas e os campos estavam destruídos. Como retomar o dia a dia da vida que conheciam?

No livro  Em busca do sentido, Viktor Frankl fala sobre a vivência do prisioneiro no que define de 3ª fase, após a libertação, quando as pessoas podem voltar para as suas casas e não encontrarem nem a casa, nem aqueles a quem esperavam ansiosamente reencontrar. Percebem que é possível sofrer ainda mais, ao ter que lidar com o desemprego e as necessidades da vida cotidiana. Passado o sofrimento inicial algumas pessoas conseguem buscar força dentro de si e se reorganizar.

Uma das possibilidades que surgiu para os meus pais se reorganizarem foi a migração. Em fevereiro de 1951, meu pai migra para o Brasil! Todo o processo de migração dependia de órgãos governamentais que convocavam para o embarque de um dia para o outro. Ou seja: inscrito para migrar e aceito pelo Departamento de Migração, o candidato deveria estar sempre com o baú em ordem, pois poderia ser chamado para partir de uma hora para outra. Meu pai parte da Itália, deixando na casa dos seus pais, uma jovem esposa e 3 filhos pequenos (o mais novo com apenas 2 meses de idade). Com todas as angústias e dúvidas: quando se reencontrariam? Para onde eles iriam? O que os espera? Onde é o Brasil?

A família fica assim, à espera, seguindo a vida com dúvidas, angústias, forças e fraquezas. A esposa e os filhos aguardando a chamada para o embarque. Após feita essa escolha, honrá-la e responsabilizar-se por ela, buscar dentro de si o que pode ajudar a desenvolver a resistência para suportar o necessário para ir reencontrar seu marido e juntamente com os filhos se desenvolverem e poderem honrar todo o vivido.

Dia 5 de maio de 1953, no meu aniversário de 5 anos, ganho de volta um pai. Desembarcamos, os 4, no porto de Santos. A lembrança que tenho é de confusão, muitas pessoas e um homem que me abraça chorando e me chama de filha. Lembrança viva e forte junto com um caos de não compreender nada do que falavam, por muitos meses fiquei sem entender, não compreendia ninguém, não tinha amigos e os meus avós me perguntavam “cadê eles?”

Meu primeiro amigo brasileiro foi o bêbado do bairro, nos entendíamos, o dialeto dele era igual ao meu. Até hoje admiro e agradeço minha mãe por permitir que eu ficasse no portão do sítio conversando com ele, tivesse um amigo. Tudo isto vivido lá atrás e as vivências e experiências fortes reverberando dentro de mim com 69 anos vividos, formo esta mulher que sou hoje: esposa, mãe, avó que tem como hobby trabalho com pérolas e espelhos. Sou psicóloga, formada em 1973 e Logoterapeuta em formação.

Fui por 21 anos (de 1991 a 2012) diretora de uma empresa familiar, empresa de ônibus, e sei que fui uma boa diretora. Foi muito difícil tomar posse da empresa por conta de uma fatalidade e luto. Um dos 3 irmãos sócios, o mais velho sofre um acidente e morre aos 45 anos de idade. Assumi a diretoria! Vivi isto como uma imposição da vida…, precisei …, fui obrigada… saudosa cuidei de três famílias, demorei a entender que foi minha escolha. Entendi com Viktor Frankl: tive sim liberdade de escolha, poderia continuar com meu caminho como vinha sendo traçado ou me distanciar e olhar o todo e escolher fazer como fiz, mesmo chorando e sofrendo em muitas ocasiões.

Em 2012 vendemos a empresa e eis-me solta na vida profissional. Que fazer? Como? Para queê? Em respeito à minha natureza, volto para a psicologia, profissão que tinha exercido até 1991. De 2012 até início de 2014 vivi “titubeante”, não me reconhecia: “tudo estava bem”, mas “nada estava bem”. Sentia um vazio, “uma dor na alma”, este vazio aumentava dia a dia, de repente se aquietava e logo quanta dor, em seguida quanta esperança e assim ia, dia a dia. Até que fui presenteada por minha filha, que também é psicóloga, ela me fala de Viktor Frankl e da Logoterapia, ofereceu algumas referências e fui procurar…fuçar…buscar.

Me encantei, fiz um curso à distância e vi que estudar e praticar a Logoterapia seria do meu tamanho exato… Vamos lá…1º passo: busquei Logoterapia para mim, encontrei um Logoterapeuta amoroso, duro e com a gargalhada que ganha da minha (olha que a minha é suficientemente vivaz, escandalosa e marcante).

Juntamente com a terapia, busquei e aceitei participar de cursos, congressos, estudos, grupo de formação, lá fui eu aproveitando e sendo aproveitada. Primeiro convite que recebo foi de participar de um encontro de Logoterapia e análise existencial em São Paulo com Aureliano Pacciolla, que foi aluno de Viktor Frankl e ITALIANO, (agora o bêbado fala minha língua) vejam … a Logoterapia chega no meu quintal! Assim começo meus estudos e formação de Logoterapeuta!

Nesta época, em natural ato contínuo, conheci o Núcleo de Logoterapia AgirTrês, que o meu terapeuta, juntamente com sua mulher (eita!!!! mulher forte! decidida! clara! e trabalhadora!) administram na busca do desenvolvimento da Logoterapia no Brasil.

Para entender, estudar e me desenvolver em Logoterapia, a primeira exigência foi ler o livro de Viktor Frankl Em busca de sentido. Quanta angústia e quantas passagens eu compreendia na alma, nas emoções, lembranças e passagens que estão marcadas forte em mim! Foi preciso 3 longos meses para lê-lo, quanta dor, cenas de desespero, parecia que eu já as tinha vivido, senão concretamente, as conhecia de tanto tê-las ouvido desde sempre!

Sei que fui ninada ao som de músicas de guerra, as clássicas histórias infantis não existiram, mas passagens dramáticas vividas por todos me eram seguidamente contadas com a dramaticidade cabível e na época não entendia o porquê esticarem tanto. A guerra acabara, mas para todos que a viveram na sua dramaticidade ela não acabara, todos se sentiram e muitos ainda se sentem em luta, presos nos seus privados campos de concentração.

Em julho de 2017 numa viagem pela Itália em visita aos meus parentes (são muitos primos, alguns tios e filhos dos primos etc.), visito a casa onde nasci e vivi os 4 primeiros anos da minha vida (aí é outra história que fica para outra ocasião). Numa linda noite de verão, convidados por primos, fomos comer pizza a céu aberto numa colina em Bologna (Colina della Chiesa di San Lucca). Pizza ótima, vinho espetacular, papo delicioso, deliciosas risadas. Eu me atenho mais a uma conversa com um dos primos mais velhos (nasceu em 1945), lembramos da nossa infância, na época éramos muito próximos, com este primo já me encontrei várias vezes na Itália, não sei nem como, nem porque, nem para quê, mas neste dia a conversa tomou o rumo saudosista, ele me pergunta como foi o sair da Itália, como chegamos ao Brasil, como vivemos este começo? Falo da solidão, de não entender ninguém, da saudade dos avós, dos meus brinquedos (nenhum foi trazido, por causa do volume, ficou tudo lá), comento mais algo e de repente ele se põe a chorar, me abraça e diz: “você não imagina como nós sofremos, minha mãe chorava todos os dias de saudade e de angústia, sem saber como vocês estariam! Será que chegaram no Brasil? Será que encontraram o Erio (meu pai), será que se perderam uns dos outros?” A 1ª. carta a chegar do Brasil para a Itália demorou mais de 5 meses!

Este momento me permitiu viver o que Viktor Frankl relata na 3ª fase após a libertação, sobre a psicologia do recém-liberto: no reencontro dos prisioneiros com as pessoas da cidade que não foram aprisionadas, relata que a dor dos que ficaram era tão forte ou maior do que as de quem viveu todos os males dos campos de concentração.

Maria Matilde Fenocchi Guedes matildeguedes@uol.com.br

O que vivi com Viktor Frankl #3 | Relato logovivencial de Glaucia Ueta

A terceira edição da série “O que vivi com Viktor Frankl” está muito especial! Nela, a psicóloga e a aluna da AgirTrês Glaucia Ueta relata o quanto a Logoterapia contribuiu para que ela encontrasse uma vida plena de sentido, superasse os obstáculos da deficiência visual e ainda lhe trouxesse presentes como conhecer Viktor Frankl pessoalmente! Ouça aqui e leia a seguir:


Glaucia“Gostaria de iniciar meu relato mencionado os sentimentos de gratidão e alegria que experimento diante desta incrível oportunidade de compartilhar aqui algumas das minhas vivências. Nasci com uma deficiência visual total e vivenciei um contexto familiar que enfrentou muitas dificuldades para aceitar a realidade de ter mais uma filha, a segunda entre quatro, com problemas de visão. Imersa nesse entorno que variava desde de tentativas de suicídio a palavras de encorajamento, segui escolhendo a esperança e a fé num sentido último que estava além, acima do sofrimento. Chorar sim, desistir nunca. Sempre muito curiosa, buscava excelência e alternativas para enfrentar os obstáculos e, responder à vida, aceitando quando necessário as limitações, mas, quando possível, desafiando-as, superando-as, encontrando e buscando o sentido da vida.
Experimentei na adolescência a realização deste sentido escolhendo relacionamentos interpessoais com qualidade. Ouvir, acolher, perguntar, para as pessoas como ela se sentiam para compreendê-las sempre foi meu movimento espontâneo e, a escolha da profissão, ser psicóloga foi apenas uma consequência. Estou formada em Psicologia desde 1988 pela PUC São Paulo. Iniciei minha trajetória profissional na clínica e como psicóloga numa instituição pública, unidade Sampaio Viana da antiga Febem, que acolhia crianças de zero a seis anos. Mais tarde, desenvolvi outros trabalhos entre eles um trabalho de orientação e apoio a pais e alunos em uma escola bilíngue sempre mantendo o atendimento clínico no consultório. Foi um grande desafio a realização do trabalho institucional: visitas domiciliares para avaliar o contexto familiar, acompanhamento dos processos nas varas de infância Juventude, atendimento a pequenos grupos de crianças, orientação às auxiliares de enfermagem e monitores, eram algumas das atividades desse trabalho. Esta realidade social com tantas particularidades se surpreendia ao se deparar com uma profissional cega, superando suas próprias limitações distanciando-se de si mesma para disponibilizar um atendimento mais humanizado, para ir além e entregar algo com valor ao mundo. Não era possível modificar em quase nada o sofrimento daquelas crianças, daquelas famílias mas foi uma tarefa única compartilhar com aquelas pessoas a força da liberdade de escolha com responsabilidade diante de qualquer situação quando, por exemplo, não media esforços para caminhar entre os muitos buracos de uma favela e visitar uma mãe angustiada em desespero, sentar e ouvi-la tomar um café que ela preparou e orientá-la. Um grande desafio que revelou o sentido de servir o outro com pequenos gestos que proporcionavam àquelas pessoas em sofrimento “pequenas alegrias”. Sem dúvida, todo grande desafio é em potencial uma imensa realização de sentido, uma imensa realização com sentido.

Meu encontro com a logoterapia aconteceu no segundo ano da universidade como resposta à minha busca de sentido com relação às abordagens teorias que estava estudando. Tudo que lia, ouvia me interessava muito, mas não completava meus pensamentos, minhas reflexões no que se referia à visão de homem. Eu participava como estudante de um grupo de profissionais psicólogos e psiquiatras cristãos e um colega nos apresentou Viktor Frankl. A ouvir a leitura de alguns trechos do livro “Em busca de sentido psicólogo no campo de concentração” experimentei um sentimento muito precioso único, um encontro de amor. Quanto mais eu ouvia sobre a logoterapia eu mais eu compreendia minha história pessoal, mais eu me apropriava das escolhas que havia feito para lidar com isso. O acesso à leitura para deficientes visuais era muito difícil e reduzido. Não tínhamos os livros disponíveis em braille sobre temas não comuns, muito menos leitores de tela. Contava com ajuda de amigos e familiares que liam em voz alta para mim – era a forma mais rápida de entrar em contato com os conteúdos. Mergulhada nesse amor pela logoterapia, questionar porque não se estudava Frankl não universidade, queria compartilhar com todos essa descoberta de sentido, de valor. Contagiei algumas amigas, convidei o colega que apresentou a logoterapia para dar uma palestra na PUC, São Paulo. Cartazes e divulgação de eventos, muito entusiasmo numa das disciplinas diante da possibilidade de tema livre. Preparei e apresentei um seminário sobre logoterapia. A notícia do Congresso em Brasília aumentou ainda mais meu entusiasmo, comecei a sonhar com a minha participação. Seria minha primeira viagem sozinha para um lugar que não conhecia ninguém, um grande desafio para mim. Lembro com carinho a importância do apoio do meu pai que me presenteou com a passagem de avião. Mais um presente!!! Estava me sentindo como quando se ganha um prêmio – ouvir e encontrar Viktor Frankl significava uma grande realização de sentido, o que me mobilizou para enfrentar as novas situações desafiadoras, viajando sozinha e superando da limitação visual. Muita emoção, fui com coragem, com determinação. Que privilégio conhecer Frankl! As palavras não são suficiente para descrever esta experiência, ouvir Viktor

Viktor Frankl, Gláucia e Eleonore Schwindt, em Brasília, em 1987.

Viktor Frankl, Gláucia e Eleonore Schwindt, em Brasília, em 1987.

Frankl na primeira fileira, ali bem pertinho de mim ensinando os fundamentos da logoteoria, simplesmente único irrepetível, um encontro de sentido. Era preciso registrar de todas as formas a unicidade, a emoção, a alegria neste momento. Não poderiam faltar fotos e autógrafo. Então fui surpreendida por outro presente maravilhoso encantador: o acolhimento, a sensibilidade, a delicadeza, a gentileza desse homem que ao autografrar o seu livro, meu livro, nosso livro, “A Presença Ignorada de Deus”, se preocupou em acalcar sua caricatura para que eu pudesse sentir com as pontas dos dedos o que ele havia desenhado. O que vivi com Viktor Frankl foi uma realização única plena de sentido. Caricatura-livro002Minha gratidão a Deus por essa vivência tão preciosa que continuo vivendo, com a logoterapia, minha logovivência, significa algo imensamente valoroso, uma realização de sentido do amor, no trabalho, na família, com cada pessoa um encontro, a liberdade de escolher responsavelmente, alinhando pensamento, sentimento, atitudes sempre buscando o valor em qualquer situação, com a força desafiadora do Espírito.

Minha busca de sentido atualmente consiste em uma produção escrita com uma leitura logoterapêutica sobre minhas vivências pessoais e profissionais afim de compartilhar meu legado profissional, como logovivente, e contribuir na formação de outros logoterapeutas. Meu imenso agradecimento com amor ao núcleo AgirTrês, queridos Francisco e Simone, a toda equipe que tem sido meu “par existencial” nesta busca de sentido.” Glaucia Ueta, setembro de 2017.

Confira mais registros desta logovivência:

Mesa do Congresso Humanismo e Logoterapia, em Brasília (1987).

Mesa do Congresso Humanismo e Logoterapia, em Brasília (1987).

Viktor Frankl autografa o livro "A presença ignorada de Deus" para Gláucia (1987).

Viktor Frankl autografa o livro “A presença ignorada de Deus” para Gláucia (1987).

À direita , Gláucia ao lado de Viktor Frankl (1987).

À direita , Gláucia ao lado de Viktor Frankl (1987).

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O que vivi com Viktor Frankl #2 | Relato vivencial de Maísa Fulginitti

Na segunda edição da série “O que vivi com Viktor Frankl”, a aluna da AgirTrês Maísa Fulginitti relata sua experiência prática com a logoterapia enfrentando uma doença imunológica.


Meu nome é Maísa Fulginitti, tenho 60 anos, sou educadora física e fui bailarina.

Dancei no Brasil, na Argentina, no Chile, na Republica Dominicana e no Japão onde morei 06 meses.

Estudei M.T.C (Medicina Tradicional Chinesa), fui duas vezes à China (Beijing) para terminar meus cursos.

Sou Personal Trainer, trabalho com exercícios funcionais, ginástica localizada, alongamento e para atender melhor os meus alunos, disponibilizo Shiatsu, Reflexologia e atendo para tratamento com fita elástica …e Spiral Tape.

Vou relatar uma parte de minha vida onde tive que enfrentar problemas reais e situações difíceis.

Em 2001 tive perda da visão periférica e foi diagnosticado como stress na região dos olhos com indicação de um óculos para perto e outro para longe, após dois meses a minha visão voltou ao normal. Nesta época estava investigando uma paristesia em 1 dos dedos do pé, após 2 anos fazendo todos os exames, sendo que o último foi uma ressonância magnética e constatou E.M. (esclerose múltipla). Iniciei o tratamento com Interferon, uma injeção intra muscular uma vez por semana que me causava 390 de febre todas as vezes que tomava e nos dois dias após a injeção,tinha dores em todas as articulações do corpo, detalhe: nunca deixei de cumprir minhas obrigações que eram trabalhar e dançar.

A única pessoa que sabia era meu marido, só contei para poucas pessoas anos depois. Enfim, após 10 anos tomei conhecimento do tratamento com a Vitamina D e já estou me tratando a 5 anos, tenho muito mais disposição e não sofro com efeitos colaterais.

Meus pais nunca souberam que eu tinha uma doença imunológica, eu dizia que tinha baixa imunidade. Tenho uma irmã com 8 anos a mais que eu, que nunca se interessou pelo meu problema. O que mais me preocupava, era o que iria acontecer comigo quando meus pais falecessem, porque  já tinham idade avançada e na mesma época do meu diagnóstico, comecei a cuidar mais intensamente deles.

No decorrer dos anos, os problemas começaram a acontecer: meu pai a muitos anos já tinha dificuldades de locomoção e a visão comprometida, minha mãe sempre foi uma pessoa com muita disposição e muito alegre. Mas aos 87 anos teve um câncer de intestino e todas as decisões ficaram sob minha responsabilidade. Ela operou e ficou bem durante dois anos e meio, foi quando apareceu outro câncer, no pâncreas, e muito agressivo. Os médicos deram de 03 a 05 meses de vida mas ela faleceu em 1 mês e meio (dezembro de 2015).

Meu pai já estava morando comigo 1 mês antes de ela falecer, ele não sabia da gravidade do problema dela. Foi um ano de muito sofrimento e fragilidade do meu pai, ele dizia que só estava vivo por minha causa.

Antes do falecimento de minha mãe, em maio de 2015, fui convidada pela Simone Guedes, diretora pedagógica da AgirTrês e minha prima, para a Oficina de Sentido da Vida  e comecei a pensar com uma outra visão. Sou Budista e essa palestra tinha muito a ver com minha filosofia de vida, depois disso participei de outros  02 eventos promovidos pelo Núcleo

Com a morte de minha mãe, ficou muito delicada e evidente a fragilidade de meu pai, e em meio a toda essa turbulência decidi iniciar o Curso de Introdução à Logoterapia e Análise Existencial para profissionais da área da saúde.

Decidi estudar para suportar a dor de também perder o meu pai em fevereiro de 2017.

Viktor Frankl e toda a literatura que estou conhecendo, é que me deixou em pé, digo com toda convicção: O meu emocional não suportaria a perda dos meus pais em 1 ano e dois meses.

Minha mãe era minha amiga, confidente e cúmplice e meu pai, meu eixo, meu esteio.

A logoterapia de Viktor Frankl me salvou.

Entender a morte, o luto e todas as questões que transitam entre a felicidade e o sofrimento e achar um sentido em tudo, isso faz com que a gente transcenda na compreensão, e está sendo essa compreensão o meu apoio físico e emocional. Compreendi a “Tríade Trágica” onde Viktor Frankl diz: “Todo homem sofre em algum momento, todo homem, em algum modo, torna-se culpado, e todo homem morrerá um dia”; mas no lugar da culpa, tenho eterna gratidão.

Apesar do pouco tempo, “Maísahoje me sinto uma Logovivente”.

Maísa Fulginitti, agosto de 2017.

O que vivi com Viktor Frankl #1 | Relato vivencial de Daniele Bueno e Antonio Camargo

Nesta primeira edição da série “O que vivi com Viktor Frankl”, alunos da AgirTrês relatam sua experiência prática com a logoterapia em estágio de Psicologia Escolar.


Somos estudantes de psicologia e este semestre concluímos o estágio obrigatório de psicologia escolar. A nossa primeira tarefa no estágio era estabelecer o vínculo com alunos e professores, conhecer a dinâmica de sala de aula e observar questões que poderiam vir a ser melhoradas por meio da prática profissional. A segunda era desenvolver uma proposta de intervenção e colacá-la em prática.

O estágio foi realizado de 6/3/2017 a 12/6/2017 em uma escola pública estadual no interior de São Paulo com 72 alunos do ensino médio, com idade entre 14 a 16 anos. Esta oportunidade não só nos possibilitou vivenciar a atuação do psicólogo na escola como também uma experiência incrível com a Logoterapia na prática.

Proposta do Projeto: Trabalhar a educação para a responsabilidade, o respeito às diferenças individuais e coletivas, valorização das potencialidades e a conscientização das possibilidades que temos frente a nossa liberdade de escolha.

A proposta teve como objetivo contribuir para o desenvolvimento de um ambiente favorável ao processo de ensino aprendizagem e possibilitar uma relação de respeito entre os membros do grupo. Entretanto frente à dura realidade encontrada em sala de aula, percebemos que só ao considerar a visão de Frankl de que o homem é um ser bio/psi/socio/noético, seria possível dar continuidade ao projeto e verdadeiramente modificar o ambiente encontrado.

As intervenções foram constituídas por dois momentos: aplicação de dinâmica em grupo e roda de conversa na qual a única regra fundava-se em aceitar o outro sendo apenas o outro. Por meio do amor logoterapêutico depositado aos adolescentes, observamos que no dia das intervenções eles não faltavam à aula e gostavam de estar lá, segundo os mesmos “Aqui eu posso apenas ser eu”, “Posso dizer como me sinto, sem ser julgado”.  De repente o diamante bruto começou a ser lapidado.

Depoimento:

“Esse ano estava decidido que eu iria me matar, não tinha outra esperança, outra saída, nem minha mãe gosta de mim porque eu seria útil no mundo, mas ai começou vocês aqui, gostando da gente de verdade e do nada, eu aprendi que tem outras possibilidades, sou livre para escolher e escolhi me amar, sou importante para mim e agora me sinto assim (fazia movimento se abraçando, sorrindo, seu semblante parecia que estava finalmente em paz) e não tenho mais raiva da minha mãe, porque antes dela fazer isso comigo ela é alguém, que às vezes só não sabe que a gente pode escolher” A., 15 anos.

Conseguimos durante o projeto articular os conceitos de “valor” e “liberdade da vontade” com a realidade vivida na escola, o que favoreceu a capacidade de reflexão dos adolescentes acerca das possibilidades que se tem frente à liberdade de escolha.

Depoimento:

“Quando comecei a ouvir que não somos livres “de”, mas somos livres “para” comecei a pensar […] a primeira fez que fui abusada tinha 6 anos […] quando esse projeto começou aqui na escola, eu comecei a pensar de outra maneira , existem outras possibilidades para mim, sou um ser humano tenho valor […] resolvi que eu não iria mais deixar, e tem dois meses daquele dia e nunca mais fui abusada, nunca mais me cortei […] me sinto querida… posso escolher dizer sim à vida apesar de tudo!” B., 15 anos.

Como também o direito de apropriação da responsabilidade por si mesmo perante a vida. As ações possibilitaram aos adolescentes um novo olhar sobre o viver, vindo a confirmar que por meio da educação para a responsabilidade e valorização das potencialidades individuais é possível desenvolver um ambiente favorável ao processo de ensino aprendizagem e uma relação de respeito entre eles.

Depoimento:

“Sai lá fora, sentei na calçada fiquei olhando o céu e pensei: eu tenho opção, sou livre, posso escolher, não preciso sempre ser violento, bater quebrar tudo […] depois entrei e minha mãe me disse que eu era a melhor coisa da vida dela, e que chegar e me encontrar calmo daquele jeito tinha sido a melhor coisa do dia dela […] é verdade, eu posso escolher, eu não preciso ser como meu pai. Eu escolhi não ser como ele […] quero ser psicólogo, quero ajudar as pessoas […] para elas entenderem que podem escolher e mudar.” G., 16 anos.

Diante das dificuldades encontradas no contexto escolar como nossa falta de experiência e a angústia da responsabilidade assumida, sentimos que fomos jogados bem no meio de uma fogueira, então respiramos fundo, ampliamos nosso campo de visão, o que nos permitiu ver novas maneiras de estar lá, novas possibilidades de sentido, nos tornando logoviventes, ou seja, a teoria não foi só articulada com a realidade vivida pelos adolescentes, mas também vivida por nós.

A aprendizagem que adquirimos e a experiência única dos momentos compartilhados são indescritíveis. Vivenciar a Logoterapia saindo do papel e acontecendo “no aqui e agora” no encontro com o outro em sua unicidade, contemplar os adolescentes descobrindo novas maneiras de enfrentar as situações dolorosas da vida com uma valentia admirável é um sentimento que jamais conseguiremos traduzir em palavra.

O fato é que

Cada encontro…

Cada relato…

Foi um aprendizado…

Para além de nós!!!

daniele-e-antonioDaniele Bueno, graduanda do 4º ano em psicologia na Faculdade Anhanguera e cursando o VI Curso de Introdução à Logoterapia e Análise Existencial – teoria e prática clínica na AgirTrês Núcleo de Logoterapia.  Participou dos cursos: “O Sentido da Vida na saúde humana: a Logoterapia de Viktor Frankl aplicada à área clínica”, realizado no COC- Centro de Oncologia de Campinas em 27/2/2016, “Dizer sim à vida, apesar de tudo! As contribuições da Logoterapia para o compromisso, ação e educação humana em nossos tempos”, realizado no Espaço Co-necta em 20/4/2017.

Antônio Camargo, graduando do 4º ano em psicologia na Faculdade Anhanguera. Participou do curso: “Dizer sim à vida, apesar de tudo! As contribuições da Logoterapia para o compromisso, ação e educação humana em nossos tempos”, realizado no Espaço Co-necta em 20/4/2017.

“Aos anjos de meus filhos adultos” (Elisabeth Lukas)

aos-anjos-de-meus-filhos-adultosAos anjos de meus filhos adultos

Falo com os anjos de meus filhos adultos
Ainda estão com eles e têm seus desejos em suas mãos?
Sabem algo da solidão que enche seus corações?
Se eles os rejeitam incontáveis vezes
Vocês se afastam deles cheios de ressentimento?

Eles precisam de vocês
Ainda mais do que quando eram pequenos
Necessitam de vocês imperiosamente.
Pois a juventude é a idade mais difícil
Em que devem fazer tudo por si mesmos
Devem lutar para conseguirem a liberdade
Em que devem pensar em tudo por conta própria
E é quando não querem saber nada de anjos

Anjos dos meus filhos adultos
A mãe já não pode mais interferir, mas vocês podem
A mãe já não pode aconselhar, mas a sabedoria de vocês vem de Deu
Anjos fiquem junto dos meus filhos adultos
Os ajudem a encontrar o caminho no meio da tempestade,
O caminho reto, o caminho deles.

Claudia Mota

(Tradução livre do espanhol de um conto sueco da obra Felicidad en la familia, de Elisabeth Lukas, por Claudia Souza de Martino Mota, psicopedagoga e aluna do nosso curso VI Curso de Introdução à Logoterapia e Análise Existencial – teoria e prática (2017). Contato: claudiamotaespanhol@gmail.com)