6ª Oficina de Sentido na Vida – 04/2018

Toda pessoa enfrenta situações difíceis, problemas, conflitos, adversidades.  E comumente nos questionamos sobre como AGIR diante de uma frustração existencial que envolve amizades rompidas, casamentos desfeitos, casos de morte de pessoas íntimas, carreiras profissionais terminadas, erros irreparáveis, grandes desilusões.
Na Logoterapia temos o conceito de Tríade Trágica – “sofrimento-culpa e morte”. Sabemos que diante dos desafios que a vida traz, é preciso tomar uma posição, uma Atitude. É sobre as ATITUDES que vamos trabalhar nesta vivência, a 6ª Oficina de Sentido na Vida.
O objetivo é ajudar as pessoas a despertarem para as possibilidades  e encontrarem Sentido no viver, aqui e agora.
Nosso referencial teórico:  Dr. Wiliam Breitbart, psiquiatra norte americano líder internacional nos campos da Psico-oncologia e Cuidados Paliativos, e Dr. Viktor Frankl, Psiquiatra e Neurologista Vienense que desenvolveu a teoria da Logoterapia e Análise Existencial.
Reserve sua vaga escrevendo para contato@agirtres.com.br.

O que vivi com Viktor Frankl #3 | Relato logovivencial de Glaucia Ueta

A terceira edição da série “O que vivi com Viktor Frankl” está muito especial! Nela, a psicóloga e a aluna da AgirTrês Glaucia Ueta relata o quanto a Logoterapia contribuiu para que ela encontrasse uma vida plena de sentido, superasse os obstáculos da deficiência visual e ainda lhe trouxesse presentes como conhecer Viktor Frankl pessoalmente! Ouça aqui e leia a seguir:


Glaucia“Gostaria de iniciar meu relato mencionado os sentimentos de gratidão e alegria que experimento diante desta incrível oportunidade de compartilhar aqui algumas das minhas vivências. Nasci com uma deficiência visual total e vivenciei um contexto familiar que enfrentou muitas dificuldades para aceitar a realidade de ter mais uma filha, a segunda entre quatro, com problemas de visão. Imersa nesse entorno que variava desde de tentativas de suicídio a palavras de encorajamento, segui escolhendo a esperança e a fé num sentido último que estava além, acima do sofrimento. Chorar sim, desistir nunca. Sempre muito curiosa, buscava excelência e alternativas para enfrentar os obstáculos e, responder à vida, aceitando quando necessário as limitações, mas, quando possível, desafiando-as, superando-as, encontrando e buscando o sentido da vida.
Experimentei na adolescência a realização deste sentido escolhendo relacionamentos interpessoais com qualidade. Ouvir, acolher, perguntar, para as pessoas como ela se sentiam para compreendê-las sempre foi meu movimento espontâneo e, a escolha da profissão, ser psicóloga foi apenas uma consequência. Estou formada em Psicologia desde 1988 pela PUC São Paulo. Iniciei minha trajetória profissional na clínica e como psicóloga numa instituição pública, unidade Sampaio Viana da antiga Febem, que acolhia crianças de zero a seis anos. Mais tarde, desenvolvi outros trabalhos entre eles um trabalho de orientação e apoio a pais e alunos em uma escola bilíngue sempre mantendo o atendimento clínico no consultório. Foi um grande desafio a realização do trabalho institucional: visitas domiciliares para avaliar o contexto familiar, acompanhamento dos processos nas varas de infância Juventude, atendimento a pequenos grupos de crianças, orientação às auxiliares de enfermagem e monitores, eram algumas das atividades desse trabalho. Esta realidade social com tantas particularidades se surpreendia ao se deparar com uma profissional cega, superando suas próprias limitações distanciando-se de si mesma para disponibilizar um atendimento mais humanizado, para ir além e entregar algo com valor ao mundo. Não era possível modificar em quase nada o sofrimento daquelas crianças, daquelas famílias mas foi uma tarefa única compartilhar com aquelas pessoas a força da liberdade de escolha com responsabilidade diante de qualquer situação quando, por exemplo, não media esforços para caminhar entre os muitos buracos de uma favela e visitar uma mãe angustiada em desespero, sentar e ouvi-la tomar um café que ela preparou e orientá-la. Um grande desafio que revelou o sentido de servir o outro com pequenos gestos que proporcionavam àquelas pessoas em sofrimento “pequenas alegrias”. Sem dúvida, todo grande desafio é em potencial uma imensa realização de sentido, uma imensa realização com sentido.

Meu encontro com a logoterapia aconteceu no segundo ano da universidade como resposta à minha busca de sentido com relação às abordagens teorias que estava estudando. Tudo que lia, ouvia me interessava muito, mas não completava meus pensamentos, minhas reflexões no que se referia à visão de homem. Eu participava como estudante de um grupo de profissionais psicólogos e psiquiatras cristãos e um colega nos apresentou Viktor Frankl. A ouvir a leitura de alguns trechos do livro “Em busca de sentido psicólogo no campo de concentração” experimentei um sentimento muito precioso único, um encontro de amor. Quanto mais eu ouvia sobre a logoterapia eu mais eu compreendia minha história pessoal, mais eu me apropriava das escolhas que havia feito para lidar com isso. O acesso à leitura para deficientes visuais era muito difícil e reduzido. Não tínhamos os livros disponíveis em braille sobre temas não comuns, muito menos leitores de tela. Contava com ajuda de amigos e familiares que liam em voz alta para mim – era a forma mais rápida de entrar em contato com os conteúdos. Mergulhada nesse amor pela logoterapia, questionar porque não se estudava Frankl não universidade, queria compartilhar com todos essa descoberta de sentido, de valor. Contagiei algumas amigas, convidei o colega que apresentou a logoterapia para dar uma palestra na PUC, São Paulo. Cartazes e divulgação de eventos, muito entusiasmo numa das disciplinas diante da possibilidade de tema livre. Preparei e apresentei um seminário sobre logoterapia. A notícia do Congresso em Brasília aumentou ainda mais meu entusiasmo, comecei a sonhar com a minha participação. Seria minha primeira viagem sozinha para um lugar que não conhecia ninguém, um grande desafio para mim. Lembro com carinho a importância do apoio do meu pai que me presenteou com a passagem de avião. Mais um presente!!! Estava me sentindo como quando se ganha um prêmio – ouvir e encontrar Viktor Frankl significava uma grande realização de sentido, o que me mobilizou para enfrentar as novas situações desafiadoras, viajando sozinha e superando da limitação visual. Muita emoção, fui com coragem, com determinação. Que privilégio conhecer Frankl! As palavras não são suficiente para descrever esta experiência, ouvir Viktor

Viktor Frankl, Gláucia e Eleonore Schwindt, em Brasília, em 1987.

Viktor Frankl, Gláucia e Eleonore Schwindt, em Brasília, em 1987.

Frankl na primeira fileira, ali bem pertinho de mim ensinando os fundamentos da logoteoria, simplesmente único irrepetível, um encontro de sentido. Era preciso registrar de todas as formas a unicidade, a emoção, a alegria neste momento. Não poderiam faltar fotos e autógrafo. Então fui surpreendida por outro presente maravilhoso encantador: o acolhimento, a sensibilidade, a delicadeza, a gentileza desse homem que ao autografrar o seu livro, meu livro, nosso livro, “A Presença Ignorada de Deus”, se preocupou em acalcar sua caricatura para que eu pudesse sentir com as pontas dos dedos o que ele havia desenhado. O que vivi com Viktor Frankl foi uma realização única plena de sentido. Caricatura-livro002Minha gratidão a Deus por essa vivência tão preciosa que continuo vivendo, com a logoterapia, minha logovivência, significa algo imensamente valoroso, uma realização de sentido do amor, no trabalho, na família, com cada pessoa um encontro, a liberdade de escolher responsavelmente, alinhando pensamento, sentimento, atitudes sempre buscando o valor em qualquer situação, com a força desafiadora do Espírito.

Minha busca de sentido atualmente consiste em uma produção escrita com uma leitura logoterapêutica sobre minhas vivências pessoais e profissionais afim de compartilhar meu legado profissional, como logovivente, e contribuir na formação de outros logoterapeutas. Meu imenso agradecimento com amor ao núcleo AgirTrês, queridos Francisco e Simone, a toda equipe que tem sido meu “par existencial” nesta busca de sentido.” Glaucia Ueta, setembro de 2017.

Confira mais registros desta logovivência:

Mesa do Congresso Humanismo e Logoterapia, em Brasília (1987).

Mesa do Congresso Humanismo e Logoterapia, em Brasília (1987).

Viktor Frankl autografa o livro "A presença ignorada de Deus" para Gláucia (1987).

Viktor Frankl autografa o livro “A presença ignorada de Deus” para Gláucia (1987).

À direita , Gláucia ao lado de Viktor Frankl (1987).

À direita , Gláucia ao lado de Viktor Frankl (1987).

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