Acontece na AgirTrês (Nov/Dez 2018): Congresso ABLAE 2018, Hospital Sírio Libanês, Clínica Médica da SMCC

Muito movimento e conhecimento nos últimos meses do ano aqui no Núcleo AgirTrês! Confira os destaques e alguns registros desses momentos especiais:

  • De 15 a 17 de novembro, marcamos presença no tradicional Congresso da ABLAE (IX Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial & IV Congresso de Logoterapia Aplicada ao Envelhecimento), em Ribeirão Preto-SP. Além das valiosas palestras, troca de conhecimento e networking com profissionais ligados à Logoterapia, na ocasião, foi eleita a nova gestão da associação e Simone Guedes recebeu homenagem por sua contribuição como vice-presidente até este ano.

  • A convite do amigo Plinio Cutait, nosso diretor clínico, Francisco Carlos Gomes, ministrou uma aula no curso de Cuidados Integrativos do Hospital Sírio Libanês com o tema: O Sentido da Vida.

  • Com cerca de 40 participantes, o Departamento de Clínica Médica da SMCC encerrou as atividades do Grupo de Estudos em Cuidados Paliativos deste ano com um encontro neste último sábado (01/12) na sede social da entidade. O evento com o tema: “O Sentido da Vida: Para que viver até o fim?” contou com a palestra de Francisco Carlos Gomes.

  • Em 7 de dezembro, Simone Guedes, nossa diretora educacional, palestrou no evento on-line I Cumbre Virtual de Logoterapia y Análisis Existencial para o Instituto Venezuelano de Logoterapia Viktor Frankl, sobre o tema “Educar para a criatividade, para a convivência e para a resiliência”.

 

 

O que vivi com Viktor Frankl #1 | Relato vivencial de Daniele Bueno e Antonio Camargo

Nesta primeira edição da série “O que vivi com Viktor Frankl”, alunos da AgirTrês relatam sua experiência prática com a logoterapia em estágio de Psicologia Escolar.


Somos estudantes de psicologia e este semestre concluímos o estágio obrigatório de psicologia escolar. A nossa primeira tarefa no estágio era estabelecer o vínculo com alunos e professores, conhecer a dinâmica de sala de aula e observar questões que poderiam vir a ser melhoradas por meio da prática profissional. A segunda era desenvolver uma proposta de intervenção e colacá-la em prática.

O estágio foi realizado de 6/3/2017 a 12/6/2017 em uma escola pública estadual no interior de São Paulo com 72 alunos do ensino médio, com idade entre 14 a 16 anos. Esta oportunidade não só nos possibilitou vivenciar a atuação do psicólogo na escola como também uma experiência incrível com a Logoterapia na prática.

Proposta do Projeto: Trabalhar a educação para a responsabilidade, o respeito às diferenças individuais e coletivas, valorização das potencialidades e a conscientização das possibilidades que temos frente a nossa liberdade de escolha.

A proposta teve como objetivo contribuir para o desenvolvimento de um ambiente favorável ao processo de ensino aprendizagem e possibilitar uma relação de respeito entre os membros do grupo. Entretanto frente à dura realidade encontrada em sala de aula, percebemos que só ao considerar a visão de Frankl de que o homem é um ser bio/psi/socio/noético, seria possível dar continuidade ao projeto e verdadeiramente modificar o ambiente encontrado.

As intervenções foram constituídas por dois momentos: aplicação de dinâmica em grupo e roda de conversa na qual a única regra fundava-se em aceitar o outro sendo apenas o outro. Por meio do amor logoterapêutico depositado aos adolescentes, observamos que no dia das intervenções eles não faltavam à aula e gostavam de estar lá, segundo os mesmos “Aqui eu posso apenas ser eu”, “Posso dizer como me sinto, sem ser julgado”.  De repente o diamante bruto começou a ser lapidado.

Depoimento:

“Esse ano estava decidido que eu iria me matar, não tinha outra esperança, outra saída, nem minha mãe gosta de mim porque eu seria útil no mundo, mas ai começou vocês aqui, gostando da gente de verdade e do nada, eu aprendi que tem outras possibilidades, sou livre para escolher e escolhi me amar, sou importante para mim e agora me sinto assim (fazia movimento se abraçando, sorrindo, seu semblante parecia que estava finalmente em paz) e não tenho mais raiva da minha mãe, porque antes dela fazer isso comigo ela é alguém, que às vezes só não sabe que a gente pode escolher” A., 15 anos.

Conseguimos durante o projeto articular os conceitos de “valor” e “liberdade da vontade” com a realidade vivida na escola, o que favoreceu a capacidade de reflexão dos adolescentes acerca das possibilidades que se tem frente à liberdade de escolha.

Depoimento:

“Quando comecei a ouvir que não somos livres “de”, mas somos livres “para” comecei a pensar […] a primeira fez que fui abusada tinha 6 anos […] quando esse projeto começou aqui na escola, eu comecei a pensar de outra maneira , existem outras possibilidades para mim, sou um ser humano tenho valor […] resolvi que eu não iria mais deixar, e tem dois meses daquele dia e nunca mais fui abusada, nunca mais me cortei […] me sinto querida… posso escolher dizer sim à vida apesar de tudo!” B., 15 anos.

Como também o direito de apropriação da responsabilidade por si mesmo perante a vida. As ações possibilitaram aos adolescentes um novo olhar sobre o viver, vindo a confirmar que por meio da educação para a responsabilidade e valorização das potencialidades individuais é possível desenvolver um ambiente favorável ao processo de ensino aprendizagem e uma relação de respeito entre eles.

Depoimento:

“Sai lá fora, sentei na calçada fiquei olhando o céu e pensei: eu tenho opção, sou livre, posso escolher, não preciso sempre ser violento, bater quebrar tudo […] depois entrei e minha mãe me disse que eu era a melhor coisa da vida dela, e que chegar e me encontrar calmo daquele jeito tinha sido a melhor coisa do dia dela […] é verdade, eu posso escolher, eu não preciso ser como meu pai. Eu escolhi não ser como ele […] quero ser psicólogo, quero ajudar as pessoas […] para elas entenderem que podem escolher e mudar.” G., 16 anos.

Diante das dificuldades encontradas no contexto escolar como nossa falta de experiência e a angústia da responsabilidade assumida, sentimos que fomos jogados bem no meio de uma fogueira, então respiramos fundo, ampliamos nosso campo de visão, o que nos permitiu ver novas maneiras de estar lá, novas possibilidades de sentido, nos tornando logoviventes, ou seja, a teoria não foi só articulada com a realidade vivida pelos adolescentes, mas também vivida por nós.

A aprendizagem que adquirimos e a experiência única dos momentos compartilhados são indescritíveis. Vivenciar a Logoterapia saindo do papel e acontecendo “no aqui e agora” no encontro com o outro em sua unicidade, contemplar os adolescentes descobrindo novas maneiras de enfrentar as situações dolorosas da vida com uma valentia admirável é um sentimento que jamais conseguiremos traduzir em palavra.

O fato é que

Cada encontro…

Cada relato…

Foi um aprendizado…

Para além de nós!!!

daniele-e-antonioDaniele Bueno, graduanda do 4º ano em psicologia na Faculdade Anhanguera e cursando o VI Curso de Introdução à Logoterapia e Análise Existencial – teoria e prática clínica na AgirTrês Núcleo de Logoterapia.  Participou dos cursos: “O Sentido da Vida na saúde humana: a Logoterapia de Viktor Frankl aplicada à área clínica”, realizado no COC- Centro de Oncologia de Campinas em 27/2/2016, “Dizer sim à vida, apesar de tudo! As contribuições da Logoterapia para o compromisso, ação e educação humana em nossos tempos”, realizado no Espaço Co-necta em 20/4/2017.

Antônio Camargo, graduando do 4º ano em psicologia na Faculdade Anhanguera. Participou do curso: “Dizer sim à vida, apesar de tudo! As contribuições da Logoterapia para o compromisso, ação e educação humana em nossos tempos”, realizado no Espaço Co-necta em 20/4/2017.

*Mensagem Nº 15* – 01/06/2017

O tema desta postagem é ADOLESCÊNCIA E SENTIDO DE VIDA, da Profª Cleia Zanatta da UCP – Universidade Católica de Petrópolis, autora de tese de doutorado sobre o tema, posteriormente publicado pela EDITORA CRV com o mesmo título.

“Mudar a si mesmo significa renascer maior que antes, crescer além de si próprio”. (Viktor Frankl)

O adolescente é visto como uma pessoa que experimenta conflitos, intra e interpessoais, decorrentes do processo do desenvolvimento e da sociedade atual, marcada por crises institucionais e de valores, imprevisibilidade, impressão iminente de risco, insegurança pessoal e coletiva, desencadeando a desesperança, à ausência de utopias e a dificuldade de crença num futuro pessoal.

Para ler o artigo completo acesse o link a seguir:

http://www.coppem.fe.unicamp.br/sites/www.coppem.fe.unicamp.br/files/21-cleia-zanatta-clavery-guarnido-duarte-1-ok.pdf

Boa leitura!

Abraços e até breve!

Simone Guedes